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pineappowl:

fujisalci:

pointlessblogtv:

I love this so much

its just typing. i could do that.

yeah, but you didn’t

Arte moderna.

(via fashionablydead)

Fonte: marcojoceph
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theatlantic:

You’re an Astronaut on a Spacewalk — and Your Helmet Is Filling With Water

Imagine you’re an astronaut. Imagine you’re on a spacewalk. Imagine, in other words, that you are whirling above the Earth at more than 17,000 miles an hour, the only thing between you and the deadly vacuum of space a padded suit, a hardened helmet, and an umbilical tether that you hope is really, really strong.

Now imagine that your helmet, suddenly, starts filling with liquid.

Read more. [Image: NASA]

Fonte: theatlantic
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davidbutter:

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Sou rodrigueano na biologia. Minha obsessão atual é a vergonha do macaco. A vergonha do macaco explica mais do que o complexo de vira-lata, de alcance mais limitado.

A vergonha do macaco é a coceira moral diante da presença real ou intuída do macaco. O brasileiro esconde e nega o macaco. Não admite que ele habite suas ruas, que dance sobre seus muros, que visite suas geladeiras. É como se proclamasse em faixa, na praça das nossas vergonhas: “Todo morto é um injustiçado / Todo derrotado é um despatrocinado / Todo macaco deve ser escondido”.

Se pudesse, o brasileiro tirava Darwin do caixão. Só para dizer à Caveira de Barba que aquele parente inconveniente, o macaco que acreditou na promessa de um “passa lá em casa” enunciado logo na saída do Jardim do Éden, não é primo nenhum. “Renego minha família”: é como se assim dissesse o brasileiro no tribunal das matas.

Ora, dirão que macacos são mascotes de times de futebol, que estampam lancheiras de crianças. Não. Quando vestimos macaco queremos antecipar a sua derrota com carnaval, festejar uma micareta de morte com as roupas de nosso inimigo.

No exterior, tudo fica claro. Nada espanta e ofende mais o brasileiro do que o retrato de sua terra como uma “floresta”. É o que faz com que prefeitos se insurjam contra desenhos animados. É o que faz com que o brasileiro entre num círculo de estrangeiros como se escondesse um passado. Teme que se conjugue “selvagem” e “Brasil” numa mesma frase. Teme a agulhada de ser selvagem por vizinhança.

Quando fotografa um esquilo no Central Park, o brasileiro tenta negar o macaco, para fazer esquecer que o sagui é seu vizinho. Ora, o Rio de Janeiro é coabitado por homens e saguis. Todos sabem, mas negam.

(Situação dramática 1: brasileiro alimenta esquilo no Central Park, mas é interrompido por um estrangeiro de nacionalidade indefinida, e de português claro. “Meu amigo, até o esquilo do Central Park sabe que tu vives na roça, e que acolhes macacos em casa, e que escreves sobre cabras de grinalda.”)

A vergonha do macaco se espraia até a política. Nosso compromisso com o meio ambiente vai aonde permite a vergonha do macaco. Só se tolera e se promove o mico-leão dourado nos dias de carnaval verde, das conferências e cúpulas sempre atrasadas, porque ele é raro. Ao fim, só desejamos preservar o curupira.

O ambientalismo é flácido. Talvez porque falte a ele a defesa ética e nacionalmente constitutiva do macaco. O Brasil tem mais de cem espécies de macacos, e apenas uma espécie de homem. Somos o Planeta dos Macacos que deu errado.

Adeus à jaula: o Brasil quer deserdar Esopo, mas esta terra com nome de pau é esopiana desde sempre. Wittgenstein dizia que, se um leão falasse, não entenderíamos. Se um macaco por aqui falasse, demoraria até que decifrássemos um “enfim, seu babaca”.

A vergonha do macaco nos ensurdece para o cotidiano. Por temerem o exótico, homens de ideias construíram uma torre neoclássica sobre os restos de uma pedreira estéril e, assim, des-cheiraram os melhores perfurmes, des-pensaram as melhores ideias. Na tentativa de escondermos o papagaio que mora em nosso ombro, corremos o risco de esquecer o que é uma ave: o universal começa na aldeia como ela é. Tolstói ataca de novo, agora vestido de Carmen Miranda.

(Situação dramática 2: Brasileiro recolhido no banheiro do quarto de hotel, de cueca, chorando. “Vi um esquilo no Central Park, vi um esquilo, o Brasil é um estacionamento.”)

Que venha a guerra nuclear. As capivaras herdarão o Tietê.

 

 ******

Comentário de Márcio Guilherme:

“Os EUA preservaram sua natureza – há esquilos no parque”: como se os macacos que andam nos fios do Rio fossem antinaturais, mais ou menos como o sexo anal na Bíblia.

Pensei que nós devíamos estar felizes pelo Senhor nos ter concedido o domingo pra ir com a família no Jardim Zoológico dar pipoca aos macacos e senti falta do Macaco Tião no texto: no Rio, a Revolução Política começará com a posse de um macaco. Se Calígula fosse carioca, Incitatus seria macaco. Seria legal um macaco deputado circulando de toga na Cinelândia depois de bater palma e guinchar pra Cidinha Campos no plenário.

Rodrigo Levino:

É uma abordagem, você sabe, inusual da identidade nacional.

Fonte: davidbutter
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